A Copobras S/A está no mercado desde 1970, atualmente com 11 unidades fabris, na área de transformação de plástico, desde plástico flexível, descartáveis em poliestireno de alto impacto (PS), poliestireno expandido (EPS) e polipropileno (PP). Segue relato histórico da Copobras.
Aloísio Schlickmann, que nasceu em 21 de julho de 1923, era o quarto filho de Germano Röettgers Schlickmann e de Gertrudes Buss, de um total de 11 filhos. Um menino brincalhão, esperto, que gostava de arte, de apelidar pessoas e dar sustos. Assim, Celso Schlickmann, 84 anos, descreve o irmão Aloísio em sua infância, vivida na casa da família localizada na comunidade de Bom Retiro, em São Ludgero, onde vive até hoje com a esposa Otília Gesing, 79 anos.
A renda da família sempre veio da agricultura, mas nem esse fato fez com que Aloísio aprendesse a gostar da lavoura. Desde cedo já dizia para os pais que não viveria no campo. Na escola, a exemplo dos demais irmãos, sempre foi aluno dedicado. Cursou o primário e o antigo complementar no Colégio São Ludgero, sendo que os quatro primeiros anos em língua alemã e os anos seguintes em português.
A educação em casa era mais rígida, como regia a época, mas a família sempre foi muito unida, o que Aloísio preservou até os últimos dias de sua vida.
Seguir a carreira militar era uma forma de abandonar a agricultura. Assim, aos 21 anos Aloísio teve como destino a capital catarinense. Soldado da Força Aérea por dois anos e três meses, nesse período cursou educação física, escola mantida e reconhecida pela Secretária Estadual de Educação.
Aos 18 anos, Aloísio iniciou uma atividade que seria a primeira de muitas que dariam certo em sua vida: o voleibol. Treinados por Daniel Bruning, ele e os irmãos Celso e Inácio recebiam o incentivo do pai e, com mais alguns amigos, representavam o município pelo estado, São Ludgero foi várias vezes campeão de Vôlei em Santa Catarina. O bom desempenho do time levou eles a representarem o estado no Campeonato Brasileiro, sendo vice-campeões na ocasião. Aloísio foi o único convocado do estado para integrar a Seleção Brasileira de Voleibol.
O gosto pelo esporte pode ter influenciado a seguir a carreia de educação física, enquanto esteve servindo como soldado da Força Aérea, em Florianópolis. "Acreditamos que esse momento de sua vida foi um divisor de águas, foi quando ele encontrou uma alternativa de sobrevivência", destaca a filha Miriam Schlickmann.
Retornando a São Ludgero, passou a exercer sua profissão no Colégio São Ludgero. Durante 30 anos (1947-1977) foi professor de educação física no colégio, onde, além de docente, era responsável pela recreação esportiva do internato, que durante este período chegou a atingir o número de 140 internos. "Meu trabalho como professor e responsável pela recreação do internato foi sempre realizado com muito amor, pois gostava muito de trabalhar com crianças e adolescentes", dizia Aloísio.
O esporte, aliado a uma vida saudável foi marcante na vida do empresário. Até os seis meses que antecederam sua morte, Aloísio tinha o hábito de nadar três vezes por semana.
Enquanto exercia a função de professor de educação física, Aloísio Schlickmann também era técnico veterinário, sendo que na época ainda não havia a profissão de médico veterinário. O curso foi feito por correspondência, durante três anos, através do Instituto Científico Rural Brasileiro, de Belo Horizonte. Aloísio realizou estágio no Ministério da Agricultura, na Divisão Defesa Sanitária Animal, em Florianópolis, onde se aperfeiçoou em trabalhos práticos veterinários e laboratoriais. Após, foi nomeado pelo Ministério da Agricultura para exercer a função de técnico veterinário, em São Ludgero, com farmácia de produtos veterinários para atendimento à população.
Sua farmácia funcionava ao lado da casa. "Nessa época ela já tinha essas atitudes empreendedoras, não tinha medo de correr atrás de algo melhor. Sempre dizia que nunca sabia no que ia dar, mas não podia ficar parado, tinha que arriscar", conta Miriam, filha de Aloísio. Segundo ela, era comum as pessoas chegarem a qualquer horário, solicitando atendimento, o qual o pai nunca negava.
A profissão de técnico veterinário despertou a vontade de investir em novas técnicas na área da suinocultura. Ainda na década de 60, Aloísio resolveu apostar na genética do suíno na região, realizando testes em um laboratório improvisado aos fundos da casa. Porém, sem recursos, foi necessário procurar quem confiaria em sua técnica e investiria. A alternativa encontrada foi uma sociedade com o amigo Alberto Warmeling (em memória), que possuía terras e capital, e ele entraria com o conhecimento. Nascia então a primeira granja da região. Até então, os porcos eram criados soltos no terreiro das casas. “Ele disse, 'eu tenho a técnica, mas não o local', e seu Alberto aceitou. Os dois se juntaram numa época desenvolvimentista. "Meu pai teve seu mérito sim, mas também soube aproveitar as oportunidades que a vida lhe deu. Houve toda uma conjuntura que colaborou com o seu crescimento. Era um homem de visão, que juntou isso ao trabalho", conta Miriam.
E a aposta deu certo. A dupla foi pioneira na criação da raça Duroc. "Foram eles que transformaram o 'porco banha' em 'porco carne'. Na verdade, meu pai sempre dizia: 'eu não crio porcos, eu crio suíno'. Ele achava que porco era sinônimo de sujeira", lembra a filha. Três anos depois, resolveu investir em um negócio próprio. "Ele disse: deu porco na cabeça", relembra Miriam, entre risos. A divisão dos animais foi estabelecida conforme Aloísio quis: o sócio iniciou escolhendo o animal que gostaria de ficar e ele o seu, assim por diante. Ao final sobrou um, que deixou para o sócio. "Esse fato mostra bem quem foi Aloísio. Ele era um homem de paz, com todas as pessoas. Claro que enfrentou conflitos sim, na empresa, na família, mas ele dizia que não havia nada que a noite, o travesseiro, o dialogo, o tempo não pudesse resolver".
Mas mesmo com o fim da sociedade, a amizade com Alberto continuou firme. Tanto que a morte do amigo, em um acidente que vitimou mais membros da família Warmeling, foi um dos fatos que mais o emocionou.
A partir dai, Aloísio adquiriu um terreno, onde mais tarde iniciou a Incoplast, e investiu no suíno de reprodução. Para sempre estar atualizado e divulgando sua criação, participava de feiras e exposições por todo o estado. E foi nessa época que conheceu o pecuarista Edésio Oenning, 58 anos que se tornaria outro grande amigo. "Lembro que o Aloísio iniciou com 20 matrizes. Por quatro anos visitamos exposições e mostramos a qualidade do nosso suíno para toda Santa Catarina. Importamos sêmen da raça landrace e nos destacamos nessas feiras", conta Oenning.
E foi durante as exposições que começou a se interessar pelas máquinas e resolveu largar a suinocultura. "Ele me chamou para escolher o que tinha de melhor e foi investir no plástico", comenta.
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