Copobras S/A

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História

A Copobras S/A está no mercado desde 1970, atualmente com 11 unidades fabris, na área de transformação de plástico, desde plástico flexível, descartáveis em poliestireno de alto impacto (PS), poliestireno expandido (EPS) e polipropileno (PP). Segue relato histórico da Copobras.

1970
Aos 47 anos, o empreendedor Aloísio Schlickmann dá uma guinada em sua vida e acaba mudando a história econômica de sua cidade - São Ludgero, no sul de Santa Catarina, vê o início das operações da Incoplast.
1982
Após produzir desde sandálias plásticas infantis e alças para sacolas, até tubos e conexões de polietileno, a Incoplast finalmente define a sua primeira vocação de mercado: o segmento de embalagens flexíveis.
1991
A Incoplast é a primeira empresa do sul do país a utilizar polietileno linear em suas embalagens. Neste ano Copobras inicia as operações da Copobras. A empresa hoje é líder nacional na produção e comercialização de descartáveis plásticos de PS e PP. Mantém atualmente um parque fabril com quatro unidades industriais nos estados de Santa Catarina, Minas Gerais, Paraíba e Amazonas.
1995
Ao completar 25 anos, a Incoplast busca novos mercados no ramo de embalagens flexíveis e inicia a construção da unidade de Marialva, no estado do Paraná.
1999
Neste ano houve maior expansão com a inauguração da unidade da Copobras na cidade de Carmópolis (MG) focada para a produção de descartáveis em PS.
Houve a abertura da filial Copobras em SC no segmento de embalagens em EPS.
Junto a unidade matriz, a Incomir inicia suas atividades neste ano. Detém experiência no desenvolvimento, produção e comercialização de envelopes especiais, atendendo, além de envelopes para as mais diversas aplicações, o exigente mercado de embalagens de segurança no transporte de valores, documentos, exames e laudos médicos confidenciais e medicamentos.
2002
De forma a melhor atender a região norte e nordeste do país é fundada a unidade Copobras na Paraíba, na linha de descartáveis PS, atualmente também produzindo descartáveis em PP.
2005
A partir de setembro, a unidade Copobras PB é expandida e também passar a produzir a linha de descartáveis expandidos (EPS). A representatividade das unidades da Copobras S/A não se restringe apenas ao mercado nacional, com atendimento também a América Latina e projetos de expansão para novos países.
2009
O ano de 2009, a partir de setembro, é marcado pela expansão da unidade Copobras PB com o início das atividades na linha de descartáveis expandidos (EPS). Com a instalação das unidades fabris nos pólos estratégicos privilegiam-se os clientes com a logística e agilidade nas entregas.
Atualmente a Copobras S/A conta com frota própria de mais de 180 caminhões, garantindo rapidez nas entregas e melhor conservação do produto. Esta história de sucesso e constante ampliação de mercados só é possível com o trabalho dos seus 3.300 colaboradores e da equipe de representação comercial, atendendo em todos os estados brasileiros.
2010
Várias ações passaram a ser tomadas sob a nova direção que assumiu a empresa neste ano. A profissionalização dos colaboradores, várias ações de melhorias nos processo internos passaram a ser tomadas e a adquisição de novos equipamentos deram ainda mais impulso a Copobras S/A.
2011
Nesse ano após uma reestruturação interna, os investimentos em maquinários se reverteram novos produtos. A Copobras lança a linha de copos e pratos térmicos, além das bandejas auto absorventes para a linha de frigoríficos, esses novos produtos alavancam o aumento no número de colaboradores em todas as suas unidades.


Biografia do Fundador

O menino que queria sair do campo

Aloísio Schlickmann, que nasceu em 21 de julho de 1923, era o quarto filho de Germano Röettgers Schlickmann e de Gertrudes Buss, de um total de 11 filhos. Um menino brincalhão, esperto, que gostava de arte, de apelidar pessoas e dar sustos. Assim, Celso Schlickmann, 84 anos, descreve o irmão Aloísio em sua infância, vivida na casa da família localizada na comunidade de Bom Retiro, em São Ludgero, onde vive até hoje com a esposa Otília Gesing, 79 anos.

A renda da família sempre veio da agricultura, mas nem esse fato fez com que Aloísio aprendesse a gostar da lavoura. Desde cedo já dizia para os pais que não viveria no campo. Na escola, a exemplo dos demais irmãos, sempre foi aluno dedicado. Cursou o primário e o antigo complementar no Colégio São Ludgero, sendo que os quatro primeiros anos em língua alemã e os anos seguintes em português.

A educação em casa era mais rígida, como regia a época, mas a família sempre foi muito unida, o que Aloísio preservou até os últimos dias de sua vida.

A carreira militar

Seguir a carreira militar era uma forma de abandonar a agricultura. Assim, aos 21 anos Aloísio teve como destino a capital catarinense. Soldado da Força Aérea por dois anos e três meses, nesse período cursou educação física, escola mantida e reconhecida pela Secretária Estadual de Educação.

O esporte como paixão e profissão

Aos 18 anos, Aloísio iniciou uma atividade que seria a primeira de muitas que dariam certo em sua vida: o voleibol. Treinados por Daniel Bruning, ele e os irmãos Celso e Inácio recebiam o incentivo do pai e, com mais alguns amigos, representavam o município pelo estado, São Ludgero foi várias vezes campeão de Vôlei em Santa Catarina. O bom desempenho do time levou eles a representarem o estado no Campeonato Brasileiro, sendo vice-campeões na ocasião. Aloísio foi o único convocado do estado para integrar a Seleção Brasileira de Voleibol.

O gosto pelo esporte pode ter influenciado a seguir a carreia de educação física, enquanto esteve servindo como soldado da Força Aérea, em Florianópolis. "Acreditamos que esse momento de sua vida foi um divisor de águas, foi quando ele encontrou uma alternativa de sobrevivência", destaca a filha Miriam Schlickmann.

Retornando a São Ludgero, passou a exercer sua profissão no Colégio São Ludgero. Durante 30 anos (1947-1977) foi professor de educação física no colégio, onde, além de docente, era responsável pela recreação esportiva do internato, que durante este período chegou a atingir o número de 140 internos. "Meu trabalho como professor e responsável pela recreação do internato foi sempre realizado com muito amor, pois gostava muito de trabalhar com crianças e adolescentes", dizia Aloísio.

O esporte, aliado a uma vida saudável foi marcante na vida do empresário. Até os seis meses que antecederam sua morte, Aloísio tinha o hábito de nadar três vezes por semana.

Veterinária o inicio do empreendedorismo

Enquanto exercia a função de professor de educação física, Aloísio Schlickmann também era técnico veterinário, sendo que na época ainda não havia a profissão de médico veterinário. O curso foi feito por correspondência, durante três anos, através do Instituto Científico Rural Brasileiro, de Belo Horizonte. Aloísio realizou estágio no Ministério da Agricultura, na Divisão Defesa Sanitária Animal, em Florianópolis, onde se aperfeiçoou em trabalhos práticos veterinários e laboratoriais. Após, foi nomeado pelo Ministério da Agricultura para exercer a função de técnico veterinário, em São Ludgero, com farmácia de produtos veterinários para atendimento à população.

Sua farmácia funcionava ao lado da casa. "Nessa época ela já tinha essas atitudes empreendedoras, não tinha medo de correr atrás de algo melhor. Sempre dizia que nunca sabia no que ia dar, mas não podia ficar parado, tinha que arriscar", conta Miriam, filha de Aloísio. Segundo ela, era comum as pessoas chegarem a qualquer horário, solicitando atendimento, o qual o pai nunca negava.

Criador de porcos não, criador de suínos

A profissão de técnico veterinário despertou a vontade de investir em novas técnicas na área da suinocultura. Ainda na década de 60, Aloísio resolveu apostar na genética do suíno na região, realizando testes em um laboratório improvisado aos fundos da casa. Porém, sem recursos, foi necessário procurar quem confiaria em sua técnica e investiria. A alternativa encontrada foi uma sociedade com o amigo Alberto Warmeling (em memória), que possuía terras e capital, e ele entraria com o conhecimento. Nascia então a primeira granja da região. Até então, os porcos eram criados soltos no terreiro das casas. “Ele disse, 'eu tenho a técnica, mas não o local', e seu Alberto aceitou. Os dois se juntaram numa época desenvolvimentista. "Meu pai teve seu mérito sim, mas também soube aproveitar as oportunidades que a vida lhe deu. Houve toda uma conjuntura que colaborou com o seu crescimento. Era um homem de visão, que juntou isso ao trabalho", conta Miriam.

E a aposta deu certo. A dupla foi pioneira na criação da raça Duroc. "Foram eles que transformaram o 'porco banha' em 'porco carne'. Na verdade, meu pai sempre dizia: 'eu não crio porcos, eu crio suíno'. Ele achava que porco era sinônimo de sujeira", lembra a filha. Três anos depois, resolveu investir em um negócio próprio. "Ele disse: deu porco na cabeça", relembra Miriam, entre risos. A divisão dos animais foi estabelecida conforme Aloísio quis: o sócio iniciou escolhendo o animal que gostaria de ficar e ele o seu, assim por diante. Ao final sobrou um, que deixou para o sócio. "Esse fato mostra bem quem foi Aloísio. Ele era um homem de paz, com todas as pessoas. Claro que enfrentou conflitos sim, na empresa, na família, mas ele dizia que não havia nada que a noite, o travesseiro, o dialogo, o tempo não pudesse resolver".

Mas mesmo com o fim da sociedade, a amizade com Alberto continuou firme. Tanto que a morte do amigo, em um acidente que vitimou mais membros da família Warmeling, foi um dos fatos que mais o emocionou.

A partir dai, Aloísio adquiriu um terreno, onde mais tarde iniciou a Incoplast, e investiu no suíno de reprodução. Para sempre estar atualizado e divulgando sua criação, participava de feiras e exposições por todo o estado. E foi nessa época que conheceu o pecuarista Edésio Oenning, 58 anos que se tornaria outro grande amigo. "Lembro que o Aloísio iniciou com 20 matrizes. Por quatro anos visitamos exposições e mostramos a qualidade do nosso suíno para toda Santa Catarina. Importamos sêmen da raça landrace e nos destacamos nessas feiras", conta Oenning.

E foi durante as exposições que começou a se interessar pelas máquinas e resolveu largar a suinocultura. "Ele me chamou para escolher o que tinha de melhor e foi investir no plástico", comenta.

O início da construção de seu império
Com seus 50 anos, depois de atuar 30 anos como professor de educação física, o interesse por uma área que considerava futurista fez que Aloísio se determinasse a entrar no ramo de plásticos. O interesse o fazia ir atrás de empresas que já trabalhavam com o produto. Através de amigos, visitou fábricas de plásticos e, constatando a viabilidade do negócio, convidou os amigos Tito Niehues, Blasius Schlickmann, padre José Pereira Kuntz, e os gaúchos Deolindo e Aquiles, sendo que os dois últimos entrariam com a experiência e os demais com o capital. Compraram máquinas usadas e, em 1970, iniciava a Plim, uma indústria de sapatos que utilizava material plástico. Em pouco tempo, os calçados de plásticos já tinham sido abandonados, os sócios haviam desistido e vendido suas partes e Aloísio, com a compra de um galpão, iniciava a Incoplast, produzindo mangueiras plásticas e conexões plásticas. Era o início da construção de seu império. Ao entrar no mercado, conseguia produzir pela metade do preço da concorrente nacional e com qualidade semelhante. Apesar da idade, o empresário sempre fez questão de mostrar que tinha a energia de um jovem e, acima de tudo, acreditava em sua capacidade. Por isso, suas inovações eram sempre bem sucedidas. Quando observava que a concorrência o estava ameaçando, já estava pronto para atacar em outro nicho, como o de embalagens e, depois, com embalagens para gêneros alimentícios. Tinha grandes clientes em Blumenau e Pomerode. Para a produção, recolhia plástico de toda região para reciclar. Mas nem tudo foi fácil na vida do empresário. Na enchente de 1974 a água tomou conta da fábrica, deixando as máquinas cheias de lodo e o estoque de matéria-prima a foi levado pelas águas. "Não esqueço jamais desse dia. Assim que a água baixou ele colocou os filhos dentro da Kombi e foi para Tubarão, na beira – rio, procurar plastico que havia sido carregado. Tudo que encontraram eles trouxeram. Levaram dias para lavá-lo, limpar as máquinas e, recomeçar. Mesmo assim, ele nunca pensou em desistir, talvez porque, nesta altura, os filhos já trabalhavam com ele". Conta o genro Frido. Faltava mão-de-obra especializada, o que dificultava ainda mais as coisas. "Havia pouca gente no estado que sabia operar as máquinas. Tive muita sorte de encontrar pessoas receptivas a me ajudarem a trilhar neste caminho. Também me assustava quando visitava aquelas fábricas em São Paulo e observava aqueles comando – elétricos, achava aquilo maravilhoso, mas tinha medo de que não funcionassem aqui em São Ludgero", disse em uma entrevista à Folha do Vale, em 2007. Porém, mais uma vez sua iniciativa deu certo. A coragem para estar sempre arriscando se aliava à inteligência e visão empreendedora, capaz de surpreender a qualquer empresário moderno. Aloísio falava da importância de se pensar 20 anos à frente para se manter no mercado. E foi pensando assim que em 1989 fez sua primeira viagem à Alemanha, onde participou de uma feira de plástico. De lá trouxe varias ideias e passou a focar nesta constante busca pelo aprimoramento. Como a concorrência tende a imitar, vivia inovando sempre. "Ficar parado é o mesmo que admitir voltar no tempo", dizia.

O que não sabia era que a determinação do empresário transformaria o negócio em uma das maiores e melhores empresas de plástico do país. Hoje, o grupo SBDE (Incoplast/ Copobras/ Incomir) além de possuir, em São Ludgero, três unidades, conta com filiais em Marialva (PR), Carmópolis (MG), João Pessoa (PB) e Manaus (AM). Em termos de distribuição, além de atender todo o Brasil, exporta para os países da América do Sul.

A paixão pelo trabalho foi cultivada por Aloísio até os últimos dias de sua vida. O empresário parou de se envolver com a empresa somente aos 70 anos, porém nunca conseguiu desligar-se por completo. Até recentemente ainda participava de reuniões do grupo. Visitava a empresa todos os dias e por onde passava, cumprimentava quem encontrava. Gostava de visitar a produção e saber como estavam as vendas, a qualidade da impressão e as novas máquinas.

Uma das frases célebres que explica bem o motivo de tanta firmeza. "Tudo se consegue na vida quando colocamos à frente a regrinha dos quatros 'Ds': Dedicação, Determinação, Disciplina e o mais importante Deus", dizia ele.


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